Foi em 2005 que eu me apaixonei por você. Meus olhares, de lascivos tornaram-se fugidios, porque a paixão veio tão avassaladora que ia além de mim. Eu estava certa de que todos sabiam. Então te olhava nos interstícios, nas sombras da atenção alheia. Em 2005 eu me enganei pela primeira vez: não tinha a menor dúvida de que você sabia. Só anos depois você me disse que não.
Eu comecei a colecionar seus pedaços. As piadas, as histórias, os gestos, as expressões, os gostos. Você é difícil de colecionar! Mas as suas peças iam, aos poucos, formando uma imagem que, se ainda não era você, tinha as suas cores. E você era bonito, mas a dor da rejeição me provocava raiva, que sempre passava com seu próximo sorriso.
E as músicas que eu ouvia para pensar em você, as músicas que eu ouvia e me faziam lembrar do que eu sentia por você foram se amontoando. Daqui em diante não garanto manter uma ordem cronológica rigorosa. Não que isso importe, porque 1) as músicas foram ficando na história do meu amor por você e 2) você não deve estar lendo isso mesmo.
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