quinta-feira, 1 de agosto de 2013

2002, 2003, 2004

O que foram esses três anos? Eu noivei, eu separei, eu casei, e você ficou no fundo do meu coração e da minha memória. Não haviam músicas pra você, mas poesias. Poesias que falavam do você que eu só conheceria depois, porque nestes anos mal nos vimos. Você certamente não sabia quem eu era. Mas era ainda você o rapaz lindo sentado na escada. Eu fantasiava que você esperava alguém que te amasse de um amor que só eu tinha pra te dar. E eras antes Camões havia colocado em palavras a falta inconsciente que você me fazia:

SONETO 12
"Busque amor novas artes, novo engenho,
Para matar-me, e novas esquivanças,
Que não pode tirar-me as esperanças,
Que mal me tirará o que eu não tenho.

Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho

Mas, conquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê,

Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde
Vem não sei como, e dá não sei porque."

Eu vivia uma vida intensa, mas a sua imagem estava lá, em algum lugar dentro de mim, sem que eu soubesse porque.

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