quinta-feira, 8 de agosto de 2013

2005: Ai, ai, ai

Meu querer por você era feliz e leve. Eu imaginava te tirar dos ambientes sérios onde nos encontrávamos e viver uma aventura. Queria sair pelo mundo e explorar praias desertas com você. Queria te ver de sunga. Queria te ver fora das discussões e decisões a tomar. Queria te colocar em outro cenário, quem sabe assim você não se sentiria a vontade para me tomar. E o meu desejo por você já era de cinema, se você o quisesse. Meu medo era que faltasse assunto, porque você era tão mais conhecedor de tudo, tão mais interessante, tão mais articulado, culto, safo, inteligente ... A gente precisava, a gente precisa, tomar um banho de chuva. A gente precisa sair um pouco dessa vida corrida e banalizada, a gente precisa se dar mais prazer. 
Naquela época essa música era uma pergunta - você quer meu carinho? - e um convite - vamos nos divertir juntos!. Naquela época (hoje ainda?) a resposta era não pros dois.



Na na na na na...

Se você quiser eu vou te dar um amor
desses de cinema
Não vai te faltar carinho,
plano ou assunto ao longo do dia
se você quiser eu largo tudo, vou pro mundo
com você meu bem
nessa nossa estrada só terá belas praias e cachoeiras

aonde o vento é brisa, onde não haja quem possa
com a nossa felicidade
vamos brindar a vida, meu bem
aonde o vento é brisa e o céu claro de estrelas
do que a gente precisa, é tomar um banho de chuva,
um banho de chuva
Ai, ai, ai - Vanessa da Mata

2005: Pensando em você

Então a saga começa. Começa assim: eu estou pensando em você. De repente, não mais que de repente, estou pensando em você. Pensando em algo que você disse pra mim e que poderia ser interpretado como um sinal de bem querer, ou apenas de querer. Me pego, na distração, pensando nas suas mãos e no tom da sua voz. Começo aos poucos a criar fantasias elaboradas de como ficaríamos juntos. Naquela época eu andava costumeiramente de moral elevada, me achava atraente por alguma razão. Então eu esperava o bote, que viria certamente. Mas pensava também que poderia nunca vir: nossas vidas eram (são) complicadas.
Nada impedia, no entanto, que, aqui e ali, eu pensasse em você. Não era sempre, mas sua memória me fazia companhia. Era a lembrança de algo acalentador e forte. Pensar em você me aconchegava. Era bom saber que existia alguém como você no mundo. E eu sempre, sempre, me sentia bem com você. E tudo isso continua sendo assim. Eu nunca mais te esqueci, nem por um só momento, embora tenham havido desvios no caminho


Eu estou pensando em você
Pensando em nunca mais 
Pensar em te esquecer
Pois quando penso em você
É quando não me sinto só
Com minhas letras e canções
Com o perfume das manhãs
Com a chuva dos verões
Com o desenho das maçãs
Com você me sinto bem
Estou pensando em você
Pensando em nunca mais te esquecer

2005: Os Alquimistas estão chegando

Você era, então, pra mim, um alquimista. Transformava a realidade, e tudo que tocava virava ouro. Você era o doutor, o homem que sabia de tudo. Você era, aos meus olhos, ético, correto, digno e tão, tão brilhante que parecia mágica. E tudo isso ainda é verdade.
Quando nós víamos, quando eu te via chegar, quando eu te via passar, você carregava a imponência dos sábios, sendo simples e até humilde. E tudo era mistério sobre você. Seu precioso trabalho era feito de alguma maneira desconhecida para que tudo fosse tão certo, bonito e bom. 
Meu desejo, então, se entrelaçou a uma admiração profunda. Foi minha perdição.


Os alquimistas estão chegando
Estão chegando os alquimistas (2x)

Eles são discretos e silenciosos
Moram bem longe dos homens
Escolhem com carinho
A hora e o tempo
Do seu precioso trabalho

São pacientes, assíduos e perseverantes
Executam segundo as regras herméticas
Desde a trituração, a fixação
A destilação e a coagulação...

Trazem consigo cadinhos
Vasos de vidro, potes de louça
Todos bem e iluminados
Evitam qualquer relação
Com pessoas 
de temperamento sórdido (4x)

Os alquimistas estão chegando
Estão chegando os alquimistas (2x)



domingo, 4 de agosto de 2013

2005: Crush


Muito do que as músicas foram era só desejo, wishfull thinking. Essa é meio devaneio, meio o que eu sentia então. Crush: paixão, arrebatamento, deslumbramento pelo homem que eu conhecia e que me acalentava nos momentos novos e difíceis que começaram a se desenrolar a partir daquele ano.
O poeta tarado Dave Matthews descreve na letra (que muda a cada apresentação), a intenção de não derramar uma gota do seu amor. Quase uma profecia...

Crush
Crazy how it feels tonight
Crazy how you make it allright love
You crush me with the things you do
I do for you anything too
Sitting, smoking, feeling high
And in this moment it feels so right.

Lovely lady, I am at your feet, Oh, God I want you so badly
And I wonder this: could tomorrow be so wondrous as you there sleeping?


Let's go drive 'till morning comes.
Watch the sunrise and fill our souls up.
And drink some wine 'till we get drunk.
Yeah...
It's crazy I'm thinking
Just knowing that the world is round.
And here I'm dancing on the ground.
Am I right-side-up or upside-down?
And is this real, or am I dreaming?
Lovely lady, let me drink you, please.
Won't spill a drop, no, I promise you
Lying under this spell you cast on me
Each moment the more I love you.
Crush me, come on
Oh, yeah...
It's crazy I'm thinking
Just knowing that the world is round.
And here I'm dancing on the ground.
Am I right-side-up or upside-down?
Is this real, or am I dreaming?
Lovely lady, I will treat you sweetly
I adore you, I mean, you crush me.
And it's times like these
With my faith I´m feeling
I know how I love you.
Come on, come on, baby...
It's crazy, I'm thinking
Just as long as you're around
And here I'll be dancing on the ground
Am I right-side-up or upside-down?
To each other we'll be facing, my love
By love we'll beat back the pain we've found
You know I mean to tell you
All the things I've been thinking deep inside, my friend.
Each moment the more I love you.
Crush on, come on, baby...
So much you have given, love
That I would give you back again and again.

2005: o ano que não acabou

Foi em 2005 que eu me apaixonei por você. Meus olhares, de lascivos tornaram-se fugidios, porque a paixão veio tão avassaladora que ia além de mim. Eu estava certa de que todos sabiam. Então te olhava nos interstícios, nas sombras da atenção alheia. Em 2005 eu me enganei pela primeira vez: não tinha a menor dúvida de que você sabia. Só anos depois você me disse que não. 
Eu comecei a colecionar seus pedaços. As piadas, as histórias, os gestos, as expressões, os gostos. Você é difícil de colecionar! Mas as suas peças iam, aos poucos, formando uma imagem que, se ainda não era você, tinha as suas cores. E você era bonito, mas a dor da rejeição me provocava raiva, que sempre passava com seu próximo sorriso.
E as músicas que eu ouvia para pensar em você, as músicas que eu ouvia e me faziam lembrar do que eu sentia por você foram se amontoando. Daqui em diante não garanto manter uma ordem cronológica rigorosa. Não que isso importe, porque 1) as músicas foram ficando na história do meu amor por você e 2) você não deve estar lendo isso mesmo.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

2002, 2003, 2004

O que foram esses três anos? Eu noivei, eu separei, eu casei, e você ficou no fundo do meu coração e da minha memória. Não haviam músicas pra você, mas poesias. Poesias que falavam do você que eu só conheceria depois, porque nestes anos mal nos vimos. Você certamente não sabia quem eu era. Mas era ainda você o rapaz lindo sentado na escada. Eu fantasiava que você esperava alguém que te amasse de um amor que só eu tinha pra te dar. E eras antes Camões havia colocado em palavras a falta inconsciente que você me fazia:

SONETO 12
"Busque amor novas artes, novo engenho,
Para matar-me, e novas esquivanças,
Que não pode tirar-me as esperanças,
Que mal me tirará o que eu não tenho.

Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho

Mas, conquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê,

Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde
Vem não sei como, e dá não sei porque."

Eu vivia uma vida intensa, mas a sua imagem estava lá, em algum lugar dentro de mim, sem que eu soubesse porque.

2001

Assim que se faz - Luciana Melo
I've Just seen a face - Beatles
Minha namorada - Vinicius de Moraes
Senhora Tentação - Cartola

Mas o nosso contato naquele ano foi escasso. Só ficou pra mim a impressão de que existia aquele homem sonhador, um tanto dolorido, e que tinha uma expressão linda linda. Eu descobri que existia, sentado em uma escada de madeira e fitando o nada, a promessa de um ser humano que eu poderia amar.

Uma década de desejo

Nem sempre te amei. Da primeira vez em que te vi, em 2001, só te quis. Quis aquele homem desapegado do mundo ao redor, perdido em si mesmo, que parecia emocionado ao se lembrar do passado. Com mil pessoas à sua volta, você parecia não temer sua fragilidade melancólica. Eu desejei ser alguém na vida daquele homem. E, com 22 aninhos, desejei também me deitar com você.
Estamos em 2013, e eu te amo de uma profundidade abismal. Na última semana meu desejo por você alcançou as raias da loucura. Já fiz de tudo para ordenar meus instintos. E, como ocorre com as feras, a besta enjaulada que eu sou se acalma um pouco com música. É por isso que, for your eyes only, vou  construir esse blog tentando lembrar das músicas que me faziam rir ou chorar, enquanto eu não tinha (tenho?) você.